O problema das pescas portuguesas é um problema de sobrevivência nacional

Estamos a chegar ao fim de um ciclo, em termos mundiais, sendo a realidade que se avizinha ainda nebulosa. Existe uma forte possibilidade para que a liquidez monetária europeia comece a escassear de uma forma bastante mais severa do que a que já agora se verifica. Isso significa que cada país terá que aprender a viver com o que tem e com o que pode produzir. Os portugueses devem entender que a única forma de garantir o progresso e a prosperidade das famílias e dos indivíduos é através do desenvolvimento da pesquisa científica, da indústria, da agropecuária e das pescas. Um dos motores da nossa economia costumava ser o sector das pescas. Temos, com efeito, a 3.a maior Zona Económica Exclusiva da União Europeia.  

E somos o povo que mais peixe consome a nível europeu.

Isso faria presumir que tivéssemos a maior frota de pesca da Europa e possivelmente uma das maiores do mundo.
Mas essa não é a realidade.
Com a entrada na CEE, acenaram-nos com dinheiro e disseram-nos que tínhamos que reduzir a nossa frota pesqueira, porque outros países também queriam pescar e porque havia que desenvolver uma pesca “sustentável” (“sustentável”, a palavra bonita que significa colocar um torniquete no desenvolvimento e no progresso).
Implementou-se então o sistema de quotas de pesca e Iniciou-se o programa de abate de embarcações.
A elite parasitária ocupante do território nacional enriqueceu com o dinheiro enviado pelos tecnocratas europeus não eleitos e entregou algumas migalhas aos armadores e pescadores, para não trabalharem.
O resultado está à vista: temos as nossas pescas em processo de autodestruição e o dinheiro vai acabar.
Em 1986, Portugal tinha uma frota pesqueira composta por 18.067 embarcações, empregando cerca de 40.000 pessoas na actividade pescatória.
Em 1989, a nossa frota de pesca já se encontrava reduzida a 16.749 embarcações, tendência que se manteve até aos dias de hoje, havendo actualmente em Portugal apenas 7699 barcos pesqueiros, o que significa um abate de 68% relativamente ao
valor de 1986.

A consulta da nossa frota de pesca ao longo dos anos pode ser feita no sítio https://webgate.ec.europa.eu/fleet-europa/search_en, conforme imagem infra (os registos iniciam-se em 1989).

Estes números impossibilitam qualquer conclusão no sentido de que a nossa indústria pesqueira cresceu. Pelo contrário, conduzem inexoravelmente à conclusão de que praticamente destruímos uma das mais importantes indústrias para a nossa
economia.
Levaria isto a pensar que a oferta de pesca no mercado nacional iria começar a escassear.
Sucede que a oferta de peixe mantém-se nos mesmos níveis de outrora, ou possivelmente maiores, mas já não somos nós a pescá-lo. Importamo-lo, em grande parte, tornando-o mais caro e concomitantemente destruímos uma das indústrias mais importantes para a nossa economia.
Mas nem toda a gente perdeu o seu trabalho e a sua actividade ao longo dos últimos quase quarenta anos.

A par do empobrecimento da população e do aumento da sua dependência relativamente às esmolas do Estado, foi enriquecendo descaradamente a elite
parasitária que forma o Regime oligárquico, nepotista, cleptocrático, pedófilo e genocida, que ocupa o território nacional.
Agora que o dinheiro vai acabar, a elite parasitária continuará milionária e a população cairá numa miséria cada vez mais profunda.

Ponte de Lima, 4 de Janeiro de 2023.
Rui da Fonseca e Castro

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